Ficar contente.
Abrir-se ao bom.
Sorrir, despreocupado.
Crescer
Buscar o novo, sem culpa.
A calma da alma.
A paz de ter, ali,
Em si,
Tudo que precise.
Ficar contente.
Abrir-se ao bom.
Sorrir, despreocupado.
Crescer
Buscar o novo, sem culpa.
A calma da alma.
A paz de ter, ali,
Em si,
Tudo que precise.
Faz do cheiro, máquina do tempo
E inverte a direção pro dia passado
Ignora o gosto refutado
Das balas que, de amargas, são deixadas
Faz do tempo, amigo
Amigo amado, saudoso,
Embriagado com a história errada que deu certo
Termina o dia no pôr do sol
Sem culpar o sol pela partida
Por iluminar outros amores
Sem ficar na dúvida, na espera
De outro dia igual a esse
Aproveitar, que da chuva, nasce vida
E fase da lua, crescente...
Eu quero fazer um poema livre
Que me faça rir
Para olhar para o futuro
De lembrar o passado
Pra sentir cheiro e gosto de infância
Pra ficar boba
Pra sentir gozo
Nem que seja da vida.
Ela acredita nos olhos dos outros
Ela acredita em mundo melhor
Acredita em dias de sol
Em amores e paz
Ela vai de braços abertos
Ela sorri pra vida
Esperando retorno de alegria
Sem esperar retorno
Ela quer que a vida seja franca
Branca ,branda
Ela crê em gente de bem
E espera que sejam, ao menos, tentadores
Ela tenta, grita, vive
Ela ama
E, loucura mundo afora
À ela, elogio.
Com tanto amor solto por aí
Com tanta gente que sorri fácil
Com um mundo que fala bonito
Em paz, em cuidado
Ainda tem gente sofrendo de solidão
Falta olho no olho
Não falo em sinceridade
Falo em verdades explícitas
Na falta de vergonha de sentir
No abraço desaforado de quem gosta
E não liga
Na força do tato
Na força de ser, aceitar
E só se entregar...
Com a lua na mão
O coração dentro de um balão
Inverto os papéis e mando ao céu
O que quero deixar intocado
Fico, assim, como a lua
A todos, de longe.
No meio do mar, no dia mais lindo, tempestade.
No meio da rua, entre amantes e “cantarolantes”, uma confusão se anuncia.
No meio do asfalto, flor.
Em meio à guerra, uma história de amor.
Nada linear, todo complexo.
Loucura afável.
Doideira amável.
Deixar o vento tocar o rosto
Deixar o sorriso solto
Deixar ir o amor
Permanecer.
Com a cor da mistura,
Com o calor,
E com a imagem imaginada
De uma sintonia
Que, de verdade,
Não bate em nada.
Tem gente que é do bem. E tem gente que te quer bem.
Pode ser um furacão porta afora, mas vira brisa leve quando perto.
Tem gente que chega perto e o mundo alivia lá fora.
Um amigo, o pai, a mãe, a avó, o namorado, o ex, o primo...
Tem gente que tem poder de “camomila” sob os problemas do mundo.
Essa pessoa não vem com isso escrito na testa, mas sabe-se na pele o poder dela.
Normalmente não abençoa teus erros, mas não te deixa desamparado.
Fica ali, forte, peito aberto, coração na mão e sorriso largo.
Em época de leviandade, em época de Tim Maia invertido, encontrar pessoas assim nem que seja de vez em quando alivia as dores da alma.
Fala-se sobre música, sobre os problemas que passamos...
Tudo é tão leve que parece conversa de botequim.
Fica-se longe, o tempo que for. Porque, no fundo, não importa.
Só saber que o bem existe;
Saber que existe alguém que te quer bem, assim... Basta.
No mundo querendo ver
Na vida, aprender
Crescer em paz
Enlouquecer,
E talvez, fugaz.
Gargalhar da graça alheia
Rir do erro próprio
Bendizer amores indo
Bem querer de amores, vindo.
Fazer do mundo, quintal
E ir, com o vento
Com o pensamento
Transformar todo o tormento
Em alegria.
Boba, mas contagia...
No silêncio
Uma batida branda
Um passo calmo
Uma luz branca
Uma felicidade calma
Quase tão amena, que confusa
Se vê tristeza.
Um sorriso interno,
Por ter tanto
De amor a abraço fraterno
Que, confusa
Abraço inteiro.
Essa dor que se sente
Não há anestesia
Não há alegria
Ela te dói nas veias
Ela te corrói por dentro
E te transforma, te deixa vazio.
Dentro, oco
Fora, louco.
Distante
Entre o coração e a mente, um mundo.
Distante das mãos e do corpo.
Distantes
A boca
O coração
A ideologia
Distante o suficiente
Pra enganar sofrimento com alegria.
Tão mais fácil
Olhar o passado e escolher
Cena por cena
E fechar os olhos
Flutuando por todos os bons momentos
Prender o fôlego, corar o rosto
Uma vez após a outra
Pra sentir, pra sentir vivo
Aquilo que agora foge
Escapa entre os dedos
Voltar não dá
E seguir adiante, não sabe.
Entre o real e o abstrato
Fica o gosto
Fica a dúvida.
Entre o palpável e o imaginário,
A vontade.
E, permeado pelo gosto da dúvida
E a vontade de gosto
Fica o desejo.
Se diz que não quer;
Se diz que não sente...
Acredita-se.
Até querer com todo o calor que o corpo pode dar,
Querer com todos os poros, todos os pêlos e quase fazer todos os apelos.
Tudo porque sente.
Escondido, mas sente.
Tenho em mim todos os sentimentos possíveis.
Tenho os amores em vão, e os amores que dei.
Tenho saudade interminável de coisas que se quer vivi e uma maior dos dias coloridos que passaram.
Tenho vontade de sorrir na rua, cantando, abraçando e distribuindo alegria.
Cabem em mim sentimentos antagônicos. Cabem em mim sentimentos que passaram e há muito espaço aos por vir.
Como podem duvidar um minuto de ser eu, um ser que sente?
Como posso ser assim, tão involuntariamente mascarada?
De viver, assim, sentindo tudo aos tropeços, multiplicado e intenso. Mostro-me assim: sentimento único de bem estar vitalício.
Quis tanto
Que entre poemas e prantos
Me esqueci.
Me esqueci do meu corpo
Das minhas horas vagas
Do meu prazer;
E esqueço, por horas
De coisas vitais;
Mas o que não sai
Do olfato, do tato, do beijo e do desejo
São esses gestos superficiais.
Eu me lembro de dizer “oi” e “tudo...”. Depois viajei em um mundo de palavras sem sentido.
Palavras que nada tinham a dizer, como se fossem mini-sonhos acordados.
Vertiam de mim, quase como água jorra em teto com goteira. Sem filtro, sem querer, sem pudor algum de estar onde não deviam.
Parece que todo peso foi saindo, como se elas me preenchessem e a partir daquele momento eu pude pairar plena, em ar.
Vai longe.
Flutua leve, baila, vive.
Volta se quiser, fica se puder.
Sente com toda intensidade. Sofre a perda, anima com o aprendizado.
As cores irão mudar todas as estações.
As estações mudam. E as cores, irão...
E qualquer senso, ali,
Fica caracterizado de nonsense.
Porque no ar, tem cheiro.
E tem sonho em cada piscar de olhos.
De esperança como criança.
E de amor livre...
Sentimento nonsense
Que só de sentir, faz o bem.
Ele, mudo.
Ela, sorriso.
E, quando perto, feliz.
Os dois... Ou um.
De tão perto.
De tão feliz.
Eu quero ser a vítima dos teus piores crimes
Parceira pros teus mais loucos devaneios.
Quero ser o vento forte, o mar revolto, a chuva tórrida
A gargalhada mais alta da platéia no meio do espetáculo.
Queria viver o amor mais amigo, a paixão mais ardente.
Ter entre os braços teu corpo pra afagar, tuas mágoas afogar
Tuas vitórias, me embebedar...
E rir, por te ter assim, ao lado.
Junto, todas as coisas do mundo.
Do jeito que for.
Sendo verdadeiro e sendo por inteiro como dois corpos são
Um pro outro, um pelo outro
Numa lógica irracional, que faz sentido pra quem sente
Já que quem sente não procura entender...
Te criar um mundo onde, se suspiro; tesão, se choro; alegria.
Que o cansaço fosse físico e que o pensamento pulasse solto
De nuvem em nuvem.
Avante e leve, largando, um a um, os problemas pelo ar.
Fazer juntos, planos, sonhos, castelos de areia
E refazer o reino onda após onda
Construindo e crescendo.
E errando e aprendendo.
Juntos. Sempre juntos.
Pra perder a paz e restar, no fim, o sorriso de satisfação.
Amor de bolso
Que levo comigo, escondido...
Caminhando, jantando
E às vezes, tiro como se fosse um relógio
Olho, incrédula: as horas correm, os dias correm
E não cura, não muda, não passa
Um amor de bolso
Que me roubam, que me zomba
E que, cabendo em meu bolso, é gigante
Não sei como, não sei onde cabe.
Mas cabe.
Cabe na minha mão, cabe no meu corpo
Meu amor de bolso
Que já não cabe mais em mim, de tanto caber em si.
Pegar os seus defeitos e expô-los todos.
Expor as feridas que mais doem,
Expor ao ridículo.
Não que baste, nem alivie...
Não que amorteça nem me engrandeça.
Mas, sendo bom e recebendo o não fica a dúvida.
Sendo ruim, recebo, assim, muito melhor...
Desejo constante, forte, intenso.
Desejo latente, envolvente, por vezes maçante.
Desejo dominante.
Desejo de pele.
Desejo de alma.
Desejo... Despejo por cima, meu corpo.
Atiro minha alma e entrego em mãos a chance do estrago.
Que é pra não restar nem pudor, nem calor
Nem, tão pouco, amor. Próprio.
De um tanto louco, de mãos vazias, de coração cheio, sorriso largo e costas prontas.
Prontas pro tapinha do abraço;
Prontas pro afago;
Prontas pro peso do mundo...
Pro peso da ruindade, da esperteza ruim, do tapinha do mal.
E transforma, aos poucos, cada ponto, traço e reta em paz.
Transformar a dor,
Transformar o atrito,
Transformar, de dentro,
a mágoa em alento.
Deveria ser crime dizer que não me quer.
Dizer que não sente o peito murchar como flor fora do pé por me ter tão longe.
Olhos nos olhos, corpo sobre corpo.
De que adianta sentir se a tendência à censura sobrepõe todos os desejos?
Que dure mais que uma noite;
Que o conhecimento da pele seja o encantamento da alma;
Que haja primavera nos dias que seguem.
Dias frios e deixo...
Me tira do prumo,
Mas tira pro bem.
Tira pro bom.
Arranca meu suspiro,
Me enche de amor.
Me sufoca no abraço,
Me deita no teu braço.
Faz de mim a tua;
Faz de ti, o meu.
Mas não, nem por um segundo,
Me deixa assim... Com essa sensação ruim
De que eu saí do teu mundo.
De todas as flores que eu conheci, nenhuma era mais bruta, mais cheia de espinhos e continha o odor mais esplendoroso.
Não era girassol, não exalava o perfume das rosas, nem era pura como as margaridas.
Ela era única...
Tão apaixonante quanto seriam buquês de amantes;
Reconfortante como seria uma flor depois de uma briga;
Carregava mais amor que a flor da última despedida.
Dava mais paz que flor em jardim.
Era uma flor-mãe. Que nos carrega no colo. Que sente no peito a dor da gente. Que sente amor junto com cobrança.
Era flor que educa, que cuida da gripe, cuida da gente, cuida de quem gosta da gente.
Era a minha mãe flor.
Bruta, dura, cheia de espinhos... Mas com o melhor cheiro.
O cheiro de minha... Cheiro de mãe.
As cores já não são tão;
Nem sabores que tanto foram.
Frases de impacto que causam calma;
E os momentos de alegria que ficam aos pedaços.
Mas a paz que fica, fica...
E tráz consigo a calma que preciso.
Fica por dentro uma quase-certeza;
Um quase-amor;
Uma quase-história.
E dentre todos os “quases”,
Fica, aqui, ainda maior, um não por inteiro.
O medo dos outros.
É forte, paralisa e afasta.
Do medo dos outros nasce a solidão, a depressão, nasce um ermitão.
Não há amor sem entrega,
Não há história sem risco.
Há de haver medo;
Há de superá-lo.
Boas histórias vêm assim... Vezes como brisa, outras, um tufão.
Infernais mulheres sentimentais
Que são sentimento
Sem motivo,
Sem medo,
Sem respeito a si próprias
Que, sendo amor, abençoadas
Pelo amor, amaldiçoadas.
Quero suavidade nos dias quentes.
Amenizar as discrepâncias do que destoa.
Filtrar a sujeira, sujar o límpido, uma ode à bagunça do que se sente.
Existe um plano pra se viver fora do eixo?