sábado, 27 de junho de 2009

Em paz

Ficar contente.

Abrir-se ao bom.

Sorrir, despreocupado.

Crescer

Buscar o novo, sem culpa.

A calma da alma.

A paz de ter, ali,

Em si,

Tudo que precise.

Outra direção

Faz do cheiro, máquina do tempo

E inverte a direção pro dia passado

Ignora o gosto refutado

Das balas que, de amargas, são deixadas

Faz do tempo, amigo

Amigo amado, saudoso,

Embriagado com a história errada que deu certo

Termina o dia no pôr do sol

Sem culpar o sol pela partida

Por iluminar outros amores

Sem ficar na dúvida, na espera

De outro dia igual a esse

Aproveitar, que da chuva, nasce vida

E fase da lua, crescente...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

E falar em coisa boa

Eu quero fazer um poema livre

Que me faça rir

Para olhar para o futuro

De lembrar o passado

Pra sentir cheiro e gosto de infância

Pra ficar boba

Pra sentir gozo

Nem que seja da vida.

Crer sem ver

Ela acredita nos olhos dos outros

Ela acredita em mundo melhor

Acredita em dias de sol

Em amores e paz

Ela vai de braços abertos

Ela sorri pra vida

Esperando retorno de alegria

Sem esperar retorno

Ela quer que a vida seja franca

Branca ,branda

Ela crê em gente de bem

E espera que sejam, ao menos, tentadores

Ela tenta, grita, vive

Ela ama

E, loucura mundo afora

À ela, elogio.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Amor sem vergonha

Com tanto amor solto por aí

Com tanta gente que sorri fácil

Com um mundo que fala bonito

Em paz, em cuidado

Ainda tem gente sofrendo de solidão

Falta olho no olho

Não falo em sinceridade

Falo em verdades explícitas

Na falta de vergonha de sentir

No abraço desaforado de quem gosta

E não liga

Na força do tato

Na força de ser, aceitar

E só se entregar...

Lua minha

Com a lua na mão

O coração dentro de um balão

Inverto os papéis e mando ao céu

O que quero deixar intocado

Fico, assim, como a lua

A todos, de longe.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ao meu amigo

No meio do mar, no dia mais lindo, tempestade.

No meio da rua, entre amantes e “cantarolantes”, uma confusão se anuncia.

No meio do asfalto, flor.

Em meio à guerra, uma história de amor.

Nada linear, todo complexo.

Loucura afável.

Doideira amável.

Amor imaginário

Deixar o vento tocar o rosto

Deixar o sorriso solto

Deixar ir o amor

Permanecer.

Com a cor da mistura,

Com o calor,

E com a imagem imaginada

De uma sintonia

Que, de verdade,

Não bate em nada.

Sobre o bem absoluto

Tem gente que é do bem. E tem gente que te quer bem.

Pode ser um furacão porta afora, mas vira brisa leve quando perto.

Tem gente que chega perto e o mundo alivia lá fora.

Um amigo, o pai, a mãe, a avó, o namorado, o ex, o primo...

Tem gente que tem poder de “camomila” sob os problemas do mundo.

Essa pessoa não vem com isso escrito na testa, mas sabe-se na pele o poder dela.

Normalmente não abençoa teus erros, mas não te deixa desamparado.

Fica ali, forte, peito aberto, coração na mão e sorriso largo.

Em época de leviandade, em época de Tim Maia invertido, encontrar pessoas assim nem que seja de vez em quando alivia as dores da alma.

Fala-se sobre música, sobre os problemas que passamos...

Tudo é tão leve que parece conversa de botequim.

Fica-se longe, o tempo que for. Porque, no fundo, não importa.

Só saber que o bem existe;

Saber que existe alguém que te quer bem, assim... Basta.

Palhaço segunda-feira

No mundo querendo ver

Na vida, aprender

Crescer em paz

Enlouquecer,

E talvez, fugaz.

Gargalhar da graça alheia

Rir do erro próprio

Bendizer amores indo

Bem querer de amores, vindo.

Fazer do mundo, quintal

E ir, com o vento

Com o pensamento

Transformar todo o tormento

Em alegria.

Boba, mas contagia...

Braço do abraço

No silêncio

Uma batida branda

Um passo calmo

Uma luz branca

Uma felicidade calma

Quase tão amena, que confusa

Se vê tristeza.

Um sorriso interno,

Por ter tanto

De amor a abraço fraterno

Que, confusa

Abraço inteiro.

sábado, 13 de junho de 2009

Cura amena

Essa dor que se sente

Não há anestesia

Não há alegria

Ela te dói nas veias

Ela te corrói por dentro

E te transforma, te deixa vazio.

Dentro, oco

Fora, louco.

Longe o bastante

Distante

Entre o coração e a mente, um mundo.

Distante das mãos e do corpo.

Distantes

A boca

O coração

A ideologia

Distante o suficiente

Pra enganar sofrimento com alegria.

Indeciso

Não me quer

Não me sente

Não me vibra

Não me ama

E ainda assim dói me ver indo...

Bons tempos futuros

Tão mais fácil

Olhar o passado e escolher

Cena por cena

E fechar os olhos

Flutuando por todos os bons momentos

Prender o fôlego, corar o rosto

Uma vez após a outra

Pra sentir, pra sentir vivo

Aquilo que agora foge

Escapa entre os dedos

Voltar não dá

E seguir adiante, não sabe.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Dualidade

Entre a calma e o desespero

Sofre quem grita?

Cala quem pondera?

Entremeio

Entre o real e o abstrato

Fica o gosto

Fica a dúvida.

Entre o palpável e o imaginário,

A vontade.

E, permeado pelo gosto da dúvida

E a vontade de gosto

Fica o desejo.

Contra senso

Se diz que não quer;

Se diz que não sente...

Acredita-se.

Até querer com todo o calor que o corpo pode dar,

Querer com todos os poros, todos os pêlos e quase fazer todos os apelos.

Tudo porque sente.

Escondido, mas sente.

Tudo bem

Tenho em mim todos os sentimentos possíveis.

Tenho os amores em vão, e os amores que dei.

Tenho saudade interminável de coisas que se quer vivi e uma maior dos dias coloridos que passaram.

Tenho vontade de sorrir na rua, cantando, abraçando e distribuindo alegria.

Cabem em mim sentimentos antagônicos. Cabem em mim sentimentos que passaram e há muito espaço aos por vir.

Como podem duvidar um minuto de ser eu, um ser que sente?

Como posso ser assim, tão involuntariamente mascarada?

De viver, assim, sentindo tudo aos tropeços, multiplicado e intenso. Mostro-me assim: sentimento único de bem estar vitalício.

Superficial

Quis tanto

Que entre poemas e prantos

Me esqueci.

Me esqueci do meu corpo

Das minhas horas vagas

Do meu prazer;

E esqueço, por horas

De coisas vitais;

Mas o que não sai

Do olfato, do tato, do beijo e do desejo

São esses gestos superficiais.

Voando alto

Eu me lembro de dizer “oi” e “tudo...”. Depois viajei em um mundo de palavras sem sentido.

Palavras que nada tinham a dizer, como se fossem mini-sonhos acordados.

Vertiam de mim, quase como água jorra em teto com goteira. Sem filtro, sem querer, sem pudor algum de estar onde não deviam.

Parece que todo peso foi saindo, como se elas me preenchessem e a partir daquele momento eu pude pairar plena, em ar.

Poema amarelo

Vai longe.

Flutua leve, baila, vive.

Volta se quiser, fica se puder.

Sente com toda intensidade. Sofre a perda, anima com o aprendizado.

As cores irão mudar todas as estações.

As estações mudam. E as cores, irão...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Nonsense

E qualquer senso, ali,

Fica caracterizado de nonsense.

Porque no ar, tem cheiro.

E tem sonho em cada piscar de olhos.

De esperança como criança.

E de amor livre...

Sentimento nonsense

Que só de sentir, faz o bem.

Doisoum

Ele, mudo.

Ela, sorriso.

E, quando perto, feliz.

Os dois... Ou um.

De tão perto.

De tão feliz.

Tentativa frustrada

Eu quero ser a vítima dos teus piores crimes

Parceira pros teus mais loucos devaneios.

Quero ser o vento forte, o mar revolto, a chuva tórrida

A gargalhada mais alta da platéia no meio do espetáculo.

Queria viver o amor mais amigo, a paixão mais ardente.

Ter entre os braços teu corpo pra afagar, tuas mágoas afogar

Tuas vitórias, me embebedar...

E rir, por te ter assim, ao lado.

Junto, todas as coisas do mundo.

Do jeito que for.

Sendo verdadeiro e sendo por inteiro como dois corpos são

Um pro outro, um pelo outro

Numa lógica irracional, que faz sentido pra quem sente

Já que quem sente não procura entender...

Te criar um mundo onde, se suspiro; tesão, se choro; alegria.

Que o cansaço fosse físico e que o pensamento pulasse solto

De nuvem em nuvem.

Avante e leve, largando, um a um, os problemas pelo ar.

Fazer juntos, planos, sonhos, castelos de areia

E refazer o reino onda após onda

Construindo e crescendo.

E errando e aprendendo.

Juntos. Sempre juntos.

Pra perder a paz e restar, no fim, o sorriso de satisfação.

Amor de bolso

Amor de bolso

Que levo comigo, escondido...

Caminhando, jantando

E às vezes, tiro como se fosse um relógio

Olho, incrédula: as horas correm, os dias correm

E não cura, não muda, não passa

Um amor de bolso

Que me roubam, que me zomba

E que, cabendo em meu bolso, é gigante

Não sei como, não sei onde cabe.

Mas cabe.

Cabe na minha mão, cabe no meu corpo

Meu amor de bolso

Que já não cabe mais em mim, de tanto caber em si.

Do mal, do bem

Pegar os seus defeitos e expô-los todos.

Expor as feridas que mais doem,

Expor ao ridículo.

Não que baste, nem alivie...

Não que amorteça nem me engrandeça.

Mas, sendo bom e recebendo o não fica a dúvida.

Sendo ruim, recebo, assim, muito melhor...

A-traída

Desejo constante, forte, intenso.

Desejo latente, envolvente, por vezes maçante.

Desejo dominante.

Desejo de pele.

Desejo de alma.

Desejo... Despejo por cima, meu corpo.

Atiro minha alma e entrego em mãos a chance do estrago.

Que é pra não restar nem pudor, nem calor

Nem, tão pouco, amor. Próprio.

O bem

De um tanto louco, de mãos vazias, de coração cheio, sorriso largo e costas prontas.

Prontas pro tapinha do abraço;

Prontas pro afago;

Prontas pro peso do mundo...

Pro peso da ruindade, da esperteza ruim, do tapinha do mal.

E transforma, aos poucos, cada ponto, traço e reta em paz.

Transformar a dor,

Transformar o atrito,

Transformar, de dentro,

a mágoa em alento.

Guardanapo de papel

Deveria ser crime dizer que não me quer.

Dizer que não sente o peito murchar como flor fora do pé por me ter tão longe.

Olhos nos olhos, corpo sobre corpo.
De que adianta sentir se a tendência à censura sobrepõe todos os desejos?

Que dure mais que uma noite;

Que o conhecimento da pele seja o encantamento da alma;

Que haja primavera nos dias que seguem.

Dias frios e deixo...

Aqui, comigo

Me tira do prumo,

Mas tira pro bem.

Tira pro bom.

Arranca meu suspiro,

Me enche de amor.

Me sufoca no abraço,

Me deita no teu braço.

Faz de mim a tua;

Faz de ti, o meu.

Mas não, nem por um segundo,

Me deixa assim... Com essa sensação ruim

De que eu saí do teu mundo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mãe flor

De todas as flores que eu conheci, nenhuma era mais bruta, mais cheia de espinhos e continha o odor mais esplendoroso.

Não era girassol, não exalava o perfume das rosas, nem era pura como as margaridas.

Ela era única...

Tão apaixonante quanto seriam buquês de amantes;

Reconfortante como seria uma flor depois de uma briga;

Carregava mais amor que a flor da última despedida.

Dava mais paz que flor em jardim.

Era uma flor-mãe. Que nos carrega no colo. Que sente no peito a dor da gente. Que sente amor junto com cobrança.

Era flor que educa, que cuida da gripe, cuida da gente, cuida de quem gosta da gente.

Era a minha mãe flor.

Bruta, dura, cheia de espinhos... Mas com o melhor cheiro.

O cheiro de minha... Cheiro de mãe.

 

Nada que há

As cores já não são tão;

Nem sabores que tanto foram.

Frases de impacto que causam calma;

E os momentos de alegria que ficam aos pedaços.

Mas a paz que fica, fica...

E tráz consigo a calma que preciso.

Fica por dentro uma quase-certeza;

Um quase-amor;

Uma quase-história.

E dentre todos os “quases”,

Fica, aqui, ainda maior, um não por inteiro.

O medo dos outros

O medo dos outros.

É forte, paralisa e afasta.

Do medo dos outros nasce a solidão, a depressão, nasce um ermitão.

Não há amor sem entrega,

Não há história sem risco.

Há de haver medo;

Há de superá-lo.

Boas histórias vêm assim... Vezes como brisa, outras, um tufão.

Infernais mulheres sentimentais

Infernais mulheres sentimentais

Que são sentimento

Sem motivo,

Sem medo,

Sem respeito a si próprias

Que, sendo amor, abençoadas

Pelo amor, amaldiçoadas.

Bagunça

Quero suavidade nos dias quentes.

Amenizar as discrepâncias do que destoa.

Filtrar a sujeira, sujar o límpido, uma ode à bagunça do que se sente.

Existe um plano pra se viver fora do eixo?