quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Os sérios que me desculpem;


Mas bom humor é fundamental.

E, sendo bom, pode ser o que bem entender... Não é à toa que comédias como “O gordo e o magro” fizeram sucesso durante toda uma geração. Talvez, hoje, eles fossem um “Zorra Total” da vida, mas cabia-se, naquele momento, um diálogo meramente contemplativo de imagens toscas, armações mal sucedidas e trapalhadas inacreditáveis.

A forma como o humor se apresenta é vasta. A seriedade é que vive solo. O humor é interdisciplinar, é coletivo, é despretensioso...

A seriedade é... Sóbria e propensa à pretensão, a validar atitude, demonstrar inteligência, corroborar com a eficiência.

Não há, em absoluto, conflito entre ambos, eles não se enxergam como dicotômicos – quem faz isso somos nós. Não há a descaracterização de um em contrapartida da existência de outro.

Mas é que a seriedade cansa e o humor, relaxa.

“Vetar”, “restringir” e “criticar” não são verbos que combinem com “gargalhar”. Porque quem ri alto não pensa na cara de reprovação do cidadão ao lado. Se pensa, é para rir dela...

Quem ri alto, pensa em malemolência, em dia de sol, em churrasco com cerveja, em tortura de cócegas, em boa companhia.

A seriedade sorri. E só. E não há mal nisso... Mas sorriso pode ser falso, pode ser por simpatia.

Gargalhada sai de dentro, se atira boca afora e enfrenta o mundo em alto e bom tom. Tão forte que confunde o corpo que só chora por tristeza e traz consigo, lágrimas. De felicidade, de alegria. De leveza interna e bem instaurada.

Assim: não como deve, mas como vale a pena ser.

Extremos

Não quer o certo, quer a luta constante
Quer o medo e a falta de todo saber
Quer a dúvida:
O que é? Como foi? E porquê?

Pra calor, quer o fogo,
E, se água, cachoeira
Se for vento, vendaval
Que a brisa, o corrego e a chama
São assuntos pra um novo amor

Sem razão

Ele faz tudo correto, encaixa
Cabe no espaço certo
Mas sobram os dias vagos
Os passos e amores guardados

Ele, que desde o princípio
Mexeu no meu mundo
Furou meu argumento
Roubou minha coesão

Foge, agora
Desaparece na hora
Que eu quero
A falta de toda razão

sábado, 6 de março de 2010

Rotina

Que entra porta adentro

Me joga porta afora

Domina meu espaço

Remexe minha vida

Bagunça minha bagunça

Saí, ileso

E eu, imersa

Só penso em amor

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Reflexão

“Pleople don’t change” atesta a célebre frase repetida mundo afora, tida como verdade, basicamente um lema dos teimosos convictos.

Não mudam, afirma. Não mudam, reflito...

Mas mudam... Mudam tanto, o tempo todo, por todo motivo.

Não mudam por motivos alheios à vontade e, sabe-se: a vontade nem sempre vem porque acordamos com um pássaro azul na janela e resolvemos ser melhores... Normalmente ela vem com dor, com aflição, com um desgosto de si próprio e a única saída é achar uma.

Bem aventurados os que mudam. Os que se permitem não nascerem prontos, não estrearem na vida com o mesmo número da despedida.

Felizes e donos de si, quem se define em construção, quem constrói e desconstrói sem medo de se revelar imperfeito. Quem possui a hombridade de ser seu próprio dono e seu próprio algoz e vai lá, corre atrás, faz valer o melhor. Mesmo sabendo que ao assumir seus defeitos, é só mais um... Mais um dedo a apontar. Mais uma voz que requer atitude. Menos um a acalantar.

Felizes e donos de si próprios e seu destino, os que alcançam. Realizados os que agüentam a barra de se afirmar, ordeiros da própria vida, enfrentando medo, reagindo, respirando e encarando.

Que mude o gosto, a vontade...

Que mude por amor ou mude por curiosidade.

Que se encante, todo dia. Que se encante com a rotina, com alguém, com muitos, com ninguém, com o espelho.

Que faça, de si próprio, rascunho e efetivo.

Que tente o que vier pela frente, mas que seja, o tempo inteiro, feliz.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Constatação

Pode caber na minha mão

Pode saber dizer não

Pode aceitar tudo e prever de antemão

Mas é que alguns corpos simplesmente permanecem

Vezes ao lado

Outras, contramão.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Correndo em círculo

A gente passa o dia correndo.
Corre pro trabalho, corre do horário
Corre pra balada, corre e corre em versão falada
Faz o dia ficar curto e a hora ter peso de pena
Descobre n'um canto escuro, alguma coisa que valha à pena.
E corre.
Só não se sabe se "ao" ou "de"
Mas o encontro é o que quer se ver
Acaba, de tanto correr,
Correndo o risco de perder
De fazer, de se entorpecer
E esquece que o fôlego também se perde parado
E que não adianta correr, nessa hora
Que dá tudo errado...